pesquisa

Pesquisa personalizada
Seja educado, cinema é lugar sagrado

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lars Von Trier diz que é o melhor diretor do mundo


"Lars Von Trier" diz que é o melhor diretor do mundo

Extraido da materia de Orlando Margarido
O diretor dinamarquês Lars Von Trier evitou a maioria das perguntas que questionavam a qualidade e até mesmo a existência de seu novo filme mostrado ontem na competição em Cannes. "Não sou obrigado a responder sobre isso, não vejo a razão", replicou diversas vezes ao jornalista que pediu uma explicação ao cineasta sobre o motivo de ter realizado Anticristo.
Ante a insistência do jornalista, que justificava que por estar no Festival de Cannes Von Trier devia uma explicação à imprensa, foi necessária a intervenção do mediador da mesa. Houve algumas tentativas, também frustradas, de voltar a tal questão, mas o realizador se manteve vago e sempre na defensiva.
Mas também houve manifestações de apreço, que quase sempre morriam na mesma atitude monossilábica do diretor. Quando respondia, era para dizer banalidades como "eu não me preocupo com a audiência quando faço um filme" ou "foi a mão de Deus que me fez escolher essa história e realizar esse filme agora".
Há razão para os ataques um pouco mais hostis do que é habitual nessas coletivas com os diretores em competição. O trabalho de Von Trier é singular tanto por um aspecto mais amplo do cinema como específico no que diz respeito a sua obra. Singularidade essa pelo ponto de vista negativo.
Anticristo nem chega a suscitar polêmica pelo material que apresenta tamanha sua aura enigmática - para os que procuram ao menos analisá-lo - e seu puro constrangimento - como preferem outros.
E o que levou Von Trier a dedicar o filme ao cineasta russo Andrei Tarkovsky (1932-1986). "Para mim ele era deus", comentou. "A primeira vez que vi um filme dele, The Mirror (O Espelho), entrei numa espécie de êxtase. Encontro entre meu trabalho e o dele uma relação religiosa." Em seguida, ele lembrou que Tarkovsky assistiu ao seu primeiro filme (provavelmente referia-se a O Elemento do Crime) e detestou. "Mas isso não me preocupou."
A entrevista seguiu morna até que uma nova pergunta fulminou o realizador com a questão de ter feito um filme que a maioria da platéia não entendeu. "Não tenho que explicar nada; fiz o filme porque sou o melhor diretor do mundo." Reconhecendo a própria pretensão e as risadas que provocou na platéia, Trier recuou. "Bom, sei que muitos diretores pensam o mesmo de si; não estou certo de que seja o melhor, apenas sinto isso."


sexta-feira, 15 de maio de 2009

FESTIVAL DE CANNES 2009



os filmes que serão exibidos no festival de cinema de Cannes, que acontece de 13 a 24 de maio na Riviera Francesa. São várias mostras, e uma delas, a “Um Certo Olhar” terá participação do brasileiro Heitor Dhalia, com o filme À Deriva.




CONCORRENTES A PALMA DE OURO




"EM COMPETIÇÃO"


Los Abrazos Rotos (Espanha), de Pedro Almodovar


Fish Tank (Inglaterra), de Andrea Arnold


Un Prophete (França), de Jacques Audiard


Vincere (Itália), de Marco Bellocchio


Bright Star (Nova Zelândia), de Jane Campion


Map of the Sounds of Tokyo (Espanha), de Isabel Coixet


A l’Origine (França), de Xavier Giannoli


Das Weisse Band (Alemanha), de Michael Haneke


Taking Woodstock (Taiwan/Estados Unidos), de Ang Lee


Looking for Eric (Inglaterra), de Ken Loach


Spring Fever (China), de Lou Ye


Kinatay (Filipinas), de Brillante Mendoza


Soudain le Vide (França), de Gaspar Noe


Bak-Jwi (Coréia do Sul), de Park Chan-wook


Les Herbes Folles (França), de Alain Resnais


The Time That Remains (Palestina), de Elia Suleiman


Bastardos Inglórios (Estados Unidos), de Quentin Tarantino


Vengeance, (Hong Kong), de Johnnie To


Visages (Malásia), de Tsai Ming-Liang


Antichrist (Dinamarca), de Lars von Trier



"FORA DE COMPETIÇÃO"


The Imaginarium of Doctor Parnassus (Estados Unidos/Inglaterra), de Terry Gilliam


Agora (Espanha), de Alejandro Amenabar


L’Armee du Crime (França), de Robert Guediguian





O MESTRE DO CINEMA Francis Ford Coppola TEM UM FILME SOBRE MAFIA QUE FICOU DE FORA DA COMPETIÇÃO MAS QUE SERÁ EXIBIDO EM CANNES ESSE ANO, CHAMA-SE TETRO.



Nada ali realmente aconteceu, mas é tudo verdade." A explicação, para lá de ambígua, é a chave para compreender a história por trás de "Tetro", novo filme de Francis Ford Coppola, exibido pela primeira vez nesta quinta-feira (14) durante a mostra paralela Quinzena dos Realizadores, em Cannes. Rodado na Argentina, o longa é uma espécie de épico familiar que carrega diversas semelhanças com a própria trajetória de vida do diretor de "O poderoso chefão".
Assim como Angelo Tetroccini, protagonista do filme interpretado por Vincent Gallo, Coppola é filho e sobrinho de grandes músicos e compositores; tal qual em "Tetro", as questões de família são impossíveis de se dissociar de sua arte; e como o escritor genioso e frustrado do papel prinicipal, o cineasta nunca quis receber os créditos por aquilo que não fosse seu:
"Na abertura do 'Chefão', eu punha 'de Mario Puzzo'. Em 'Drácula', era 'de Bram Stoker'. 'O homem que fazia chover' era 'de John Grisham'... Sempre sonhei em ter algo 'de Coppola'. Escrever é a parte mais difícil do processo", disse o diretor em um debate promovido logo após a sessão. De fato, "Tetro" é um dos seus raros filmes em que Coppola leva também o crédito de escritor. "Depois de 'O fundo do coração' (1982) contraí uma dívida enorme no banco. Dos meus 40 aos 50 anos, precisei fazer um filme por ano só para pagar esse empréstimo. Recebia o roteiro e filmava. Só consegui pagar tudo em 'Drácula' (92)."
"Tetro" conta a saga de dois irmãos, Bennie e Angelo, que se reencontram em Buenos Aires anos depois que o último, mais velho, abandona a família em Nova York. Angelo quer ser escritor de romances, mas a personalidade sempre competitiva do pai o impede de seguir adiante. Bennie - vivido pelo ator estreante Alden Ehrenreich - idolatra o irmão e faz de tudo para tentar uma reaproximação, apesar da resistência de Angelo, que desde que deixou NY quer cortar todos os laços com o passado. Caberá à Miranda (Maribel Verlú), namorada de Angelo e simpática ao caçula, o papel de mediar a conturbada relação entre os dois. Quase todo registrado em preto-e-branco nas ruas do bairro típico portenho La Boca, "Tetro" vai ganhando complexidade à medida que o roteiro avança. Alterna ares de produção independente, algo de cômico aqui e ali, a momentos grandiosos de tragédia teatral, quando ganha cores, bailarinos e uma dramaticidade que destoa propositalmente do restante das cenas. Pela presença marcante da família em ambos os filme, uma jornalista comparou "Tetro" a "O poderoso chefão". "A diferença principal está na quantidade de mortes por facas, estrangulamentos e armas de fogo", brincou Coppola diante da sugestão. "Quando fiz o 'Chefão', eu nunca havia conhecido um mafioso. Nunca conheci um mafioso. Por isso, fiz eles se parecerem com pessoas da minha família. Fui fiel a meus pais e tios. Em 'Tetro', transplantei Nova York e a Itália para a Argentina."
Semanas antes da première desta quinta, uma polêmica se formou em torno da participação ou não de Coppola em Cannes. Chamado para ser exibido fora da competição, o diretor declinou o convite e acabou preferindo a exibição na Quinzena, que é promovida pelos críticos, sem ligação formal com o festival.

"A situação foi parecida com o que aconteceu com 'Apocalipse Now' (1979). Na época que recebi o convite para vir, eu não tinha acabado o filme e eles propuseram de passar fora de competição. Eu disse que só traria para competir. Este ano, me disseram que já havia muitos grandes diretores e filmes de outro país, por isso as vagas eram poucas. Fizeram a mesma proposta, ofereceram uma sessão de gala. Mas 'Tetro' é um filme independente, não me sinto confortável em vestir um smoking e desfilar ao lado de tanta gente importante. Achei o convite da crítica mais apropriado", ironizou. Além dos atores Verlú e Ehrenreich - Gallo não foi à sessão pela manhã -, Coppola estava acompanhado da esposa e do filho Roman durante a entrevista. Culpa de suas raízes italianas, explica o diretor: "não gosto de me separar da minha família. Desde pequenos, sempre levava meus filhos ao set. Quando estava filmando 'Apocalipse', eles passaram cinco meses comigo nas Filipinas. Também já comprei uma câmera para a minha mulher, ela acabou pegando gosto e fez seu documentário. Esse foi sempre o meu truque para mantê-los por perto."
ACOMPANHE TUDO SOBRE CANNES NO SITE OFICIAL DO FESTIVAL :
ASSISTA A O VIDEO OFICIAL EM:
ASSISTA A O TRAILER DE 3 FILMES DE CANNES:
Bastardos Inglórios DE TARANTINO
ANTICRISTO de LARS VON TRIER
TETRO de FANCIS FORD COPPOLA


segunda-feira, 4 de maio de 2009

2 ° ENCONTRO PARAIBANO DE CINECLUBISMO

NOS DIAS 01 A 03 DE MAIO DE 2009 FOI REALIZADO EM JOÃO PESSOA DENTRO DA PROGRAMAÇÃO DO 4° CINEPORT (FESTIVAL DE CINEMA DE PAISES DE LINGUA PORTUGUESA) O SEGUNDO ENCONTRO PARAIBANO DE CINECLUBISMO, ORGANIZADO PELA ABD-PB NO HOTEL IMPERIAL, FORAM DIAS DE GRANDE DISCUSSÃO EM TORNO DA ESTRUTURAÇÃO ORGANIZADA DE UMA REDE INTEGRADE DOS CINECLUBES EXISTENTENTES NA PARAIBA E DOS QUE PRETENDEM CRIAR SEUS CINECLUBES.
ESTIVERAM NO ENCONTRO REPRESENTANTES DE CINECLUBES DA CAPITAL AO SERTÃO DO NOSSO ESTADO.

OS GTs E MESAS REDONDAS TAMBEM FORAM DE EXTREMA IMPORTANCIA PARA OS PARTICIPANTES QUE POR FIM REDIGIRAM UMA CARTA QUE AFIRMA A LUTA DOS CINECLUBES PARAIBANOS NA ESTRUTURAÇÃO DE UMA REDE E DA DIVULGAÇÃO DO AUDIOVISUAL PARAIBANO.

domingo, 1 de março de 2009

DIA 09 DE MARÇO DE 2009 O CINE BAIRRO ESTÁ DE VOLTA !!!!

DIA 09 DE MARÇO DE 2009 O BAIRRO DE TAMBAY NA CIDADE DE BAYEUX-PB SERÁ MAIS UMA VEZ PALCO PARA UM DOS MAIORES PROJETOS CULTURAIS DA CIDADE DE BAYEUX, FOI O PROJETO CINE BAIRRO QUE LEVOU O NOME DA CIDADE PARA TODO O ESTADO DA PARAIBA E PARTE DO BRASIL, FOI PIONEIRO NA REALIZAÇÃO DE CINEMA CURTA METRAGEM NA CIDADE E ISSO SEM CONTAR QUE O OBJETIVO PRINCIPAL DO PROJETO É O DE LEVAR CINEMA GRATUITO PARA TODOS OS QUE NÃO TEM ACESSO A 7° ARTE,ACREDITAMOS QUE ARTE NÃO SE COMPRA NEM SE VENDE, ARTE TEM QUE SER PARA TODOS E SERVIR PARA A MODIFICAÇÃO DAS MENTALIDADES....

POR ISSO VOCE É NOSSO CONVIDADO PARA AS 19 HORAS SE FAZER PRESENTE LÁ EM TAMBAY ONDE NA OCASIÃO ESTAREMOS FAZENDO O LANÇAMENTO DO NOSSO CURTA METRAGEM "CORAÇÃO REVOLUCIONARIO ( REVOLUTIONARY HART) "

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"CORAÇÃO REVOLUCIONARIO" LEVA PREMIO NO II JAMPAVIDEO







CORAÇÃO REVOLUCÍONARIO LEVA UM DOS PRINCIPAIS PREMIOS NO II JAMPAVIDEO "MELHOR ATOR" PARA THIAGO RODRIGUEZ.


O NOSSO CURTA "CORAÇÃO REVOLUCIONARIO" LEVOU NA NOITE DA ULTIMA SEXTA FEIRA DIA 31 DE AGOSTO, UM DOS PREMIOS PRINCIPAIS DO II JAMPAVIDEO FESTIVAL DE CURTAS METRAGEM PROMOVIDO PELO SEC-PB.
"THIAGO RODRIGUEZ"LEVOU O TROFÉU DE MELHOR ATOR PELA ATUAÇÃO MAJESTOSA EM UM CURTA DE ROTEIRO DELE E DIREÇÃO DE "DERY ALVES"
ESTAMOS FELIZ E DEDICO ESSE PREMIO A TODOS QUE ACREDITARAM E EM ESPECIAL A DOIS CARAS: DERY ALVES QUE DIRIGIU O CURTA E TAMBEM FILMOU PASSANDO POR CIMA DAS ADVERSIDADES QUE ENFRENTAMOS, DE PEGAR UM ROTEIRO COMPLEXO ESCRITO POR MIM EM 2004 E AGRADEÇO TAMBEM AO GRANDE ATOR "LEONARDO MEDEIROS" NO QUAL ADIMIRO COMO ATOR NACIONAL(FILMES:CABRA-CEGA E NÃO POR ACASO) E AO PESSOAL DO BAIRRO DE TAMBAY NA CIDADE DE BAYEUX QUE SEMPRE ACREDITOU NO NOSSO PROJETO(FAMILIA, AMIGOS) ESSE PREMIO É PRA TODOS VCS E SAIBAM QUE MESMO SEM GRANDES RECURSOS E CONCORRENDO COM QUASE 40 CURTAS PARAIBANOS QUE POR SINAL SÃO DE MUITA QUALIDADE. CHEGAMOS E CONTINUAREMOS A CAMINHAR EM BUSCA DO SOL, OUTROS VIRÃO!!!!!

QUEM QUISER O CURTA PARA EXIBIÇÕES EM CINECLUBES É SÓ LIGAR:
83 88136984 (THIAGO) OU
cinebairro@hotmail.com

e quem for da cidade de BAYEUX é so ir na casa de DERY e marcar uma locação gratuita
(83) 32323637 (DERY)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

PERSONA DO CINEASTA "INGMAR BERGMAN"


PERSONA
de Ingmar Bergman


O FILME COMO UM FILME

O filme conta a história de Elizabeth Vogler, uma atriz que surta durante a apresentação da tragédia Electra, como conseqüência, Elizabeth repousa em uma clínica psiquiátrica. A médica responsável conclui que sua estadia na clínica não surte resultado e assim a manda junto com uma enfermeira, Alma, para sua casa de praia esperando que o isolamento fosse uma maneira de curar o estado da Sra. Vogler que enclausura-se em si mesma e recusa-se a falar.
Elizabeth é atriz, uma profissão na qual a pessoa é obrigada a incorporar vários personagens e personalidades. Esta aquisição causa a perda ou desconhecimento de sua persona original. Assustada, Elizabeth, cansada de mentir, se fecha em um mundo silencioso afim de encontrar a sua verdadeira persona.
Alma é enfermeira calma e introvertida que fala a penas o necessário, no entanto ao chegarem a casa de praia verifica-se uma inversão de papeis. Alma acolhe a personalidade da atriz antes extrovertida e Elizabeth assume a personalidade de Alma caracterizada por sua introspeção que se comunica apenas através de gestos e olhares.
Em determinado momento, Alma lê uma carta de Elizabeth a qual revela suas confidências gerando o conflito do filme. Há uma discussão entre ambas e suas personalidades confrontam-se acontecendo assim uma fusão de personas transmitindo a idéia de que há apenas uma pessoa.

POESIA VISUAL / O Imaginário Bergman

O filme abre com uma poesia imagética que simboliza, de forma metafórica, o ciclo da vida. O nascimento é representado pelo início do funcionamento de um projetor de cinema. Duas pequenas resistências deste projetor, que em contato entram em incandescência, nos remetem ao fogo da vida. As imagens iniciais projetadas pela máquina mostram as pequenas mãos de uma criança e um desenho animado onde o personagem utiliza suas mãos para molhar o rosto. Bergman, em vários outros momentos do filme, irá utilizar as mãos como representações da identidade humana. Neste momento, as jovens mãos indicam o período da infância, enquanto o movimento de levar as mãos ao rosto, utilizado na animação, mostra a formação da identidade de um indivíduo.
Na seqüência seguinte, grades e neve caracterizam o momento que a identidade está formada. A delimitação de um perímetro e a idéia de confinamento expressam os mecanismos de preservação desta identidade. Esta reclusão ocorre com o intuito de manter afastada qualquer influência exterior que não seja desejada, porém a utilização do som de água gotejando mostra que, por mais fechada esta identidade esteja, ela não fica totalmente vedada e algo externo pode acabar invadindo seu interior. Outra interpretação que pode ser feita para o gotejar, é de que algo fugiu de seu curso natural e tal fato ocorre na vida das personagens do filme, quando ambas passam por uma gravidez indesejada ou
quando a enfermeira Alma resolve contar para sua paciente a respeito de uma orgia que viveu.
O plano seguinte desta composição poética mostra um carneiro sendo sacrificado, o que simboliza as renúncias que devem ser feitas ao longo da vida, na tentativa de preservar sua identidade. Logo em seguida, duas mãos são crucificadas numa alegoria a uma punição que esta identidade irá sofrer. A crucificação também pode ser interpretada como o momento em que o indivíduo abandona sua identidade e busca desenvolver uma nova. A postura da personagem Elizabeth de não falar mais, é uma tentativa de formação dessa nova identidade.

A ANÁLISE

Persona é um filme de dualidades:rosto-máscara, realidade-aparência, eu-outro, real-imaginário, silêncio-palavra, vida-morte, criança-adulto, interior-exterior, mar-terra, chuva-sol, dia-noite, luz-sombra, claro-escuro, preto-branco, corpo-alma, filme-realidade.
Persona apresenta duas personas de uma mesma pessoa.Persona, segundo a linha psicanalítica de Jung, é a mascara com a qual nos apresentamos ao mundo. E através dela nos relacionamos com os outros. A persona inclui papéis sociais, tipo de roupa e estilo de expressão pessoal. O termo persona deriva da máscara usada pelos atores no teatro grego.
A persona pode ter aspectos positivos e negativos. Ela serve para proteger o Ego e a psique das diversas forças e atitudes sociais que nos invadem. Nesse caso, o indivíduo adota conscientemente uma personalidade artificial ou mascarada, contrária aos seus traços de caráter, para se proteger, se defender ou para tentar se adaptar ao seu círculo.
Quando estamos isolados, em silêncio, sozinhos, nossa persona se manifesta de modo distinto de quando estamos na rua, no trabalho. Há assim uma persona para o convívio social e outra para quando estamos sozinhos.
No filme, há duas individualidades em confronto, duas personalidades e angústias: Alma e Elizabeth. Ela parece viver com sua persona de isolamento, sem comunicação, enquanto Alma demonstra a persona do convívio social.
A atriz que toma subitamente consciência da mentira em que vive, e rejeita a própria voz. Ela não quer mais mentir, não quer criar mais personas, pois ao se comunicar ela já cria uma mentira do que ela é. Ela não quer faltar à verdade.
Pode-se dizer que Alma e Elizabeth formam duas personas de uma mesma pessoa. Há primeiro uma comparação com as mãos, que podem significar a individualidade, depois as duas faces, por fim a junção. A simbiose se concretiza na tela pela fusão das duas faces num mesmo rosto. Elizabeth se apodera da personalidade de Alma, formando as duas mentes de um mesmo ser.
Como um psicólogo, a senhora Vogler ouve Alma atenciosamente durante a estadia na praia. Deixa que fale de si e ao mesmo tempo aprenda a se conhecer, como numa sessão psicanalítica. Despida de seu uniforme de enfermeira, sua persona se transforma, dando lugar a outra. Mas Elizabeth também passa a conhecer Alma e estudar sua persona. Há aqui uma troca de papéis: a enfermeira faz o papel de paciente, e esta por sua vez faz o papel da médica. Elas primeiro trocaram suas máscaras e depois subitamente dividiam a mesma máscara.
Segundo a teoria psicanalítica de Freud, há uma identificação de Elizabeth com Alma: a primeira quer se tornar parecida com a segunda. Como as duas são muito diferentes, elas parecem se completar, como se Elizabeth fosse o Superego, evitando mentir, e Alma fosse o Id, totalmente instintiva. Assim elas se completam, formando o Ego da atriz.
Na cena em que aparecem as duas meias faces estoura a esquizofrenia de Alma, sua linguagem se desagrega e ela percebe que a outra mulher se projeta nela, com ela. As palavras param de existir e a agressividade de Alma atinge um nível tal que ela não utiliza mais as palavras. Elizabeth, que agora é atriz e enfermeira, apresentando-se como Alma: essa luta de personalidades, para tentar entender seu novo papel, gera a esquizofrenia. Elizabeth não tem o texto completo de seu papel e fica buscando palavras para se expressar com esta persona. Mas, como todo ator, ela se alimenta de seu personagem, como um vampiro, um parasita, no filme explicitado pela cena em que chupa o sangue de Alma.
O filme também trata da questão realidade/ilusão. A todo instante, o diretor tenta nos lembrar de que estamos assistindo a um filme. O projetor que olha diretamente para nós, a película que se rasga, a imagem da atriz no estúdio. Somos lembrados de que isso não é realidade: uma ilusão, uma mentira. A ilusão também aparece quando, assim como alma, não sabemos se Elizabeth aparece ou não durante a noite. Se ela grita ou não de medo. A única cena em que Elizabeth fala é aquela em que alma ameaça jogar água fervente da panela. O medo a faz reagir. Diante dessa nova situação, Elizabeth desfaz-se da primeira persona e estabelece uma nova para se defender. Nessa parte do filme, Elizabeth não é mas ela – é ela e alma. E com duas personalidades dentro de uma pessoa, estabelece-se um conflito.
Pode ser dito que o filme aborda a questão do conflito. Elizabeth tem um conflito interno que gera sua atitude de não mais falar. Este por sua vez acaba criando um conflito externo com Alma, que reage com agressividade. Os fatores externos tentam se infiltrar: a chuva na casa representa Elizabeth tentando ultrapassar a persona de Alma.
Os indivíduos, na vida real, têm de conviver com a “troca” de personas para adaptar-se e ser aceito em diversos meios sociais. Uma atriz (utiliza-se a palavra no gênero feminino em virtude do papel vivido por Liv Ullman) convive com esta troca e tem de interpretar inúmeros personagens e, por conseguinte, diferentes personalidades.
Na obra de Bergman, pode-se compreender o súbito mutismo de Elizabeth como uma perda ou um possível esquecimento de sua identidade, a questão
principal do filme. Afim de evitar maiores explicações à sociedade, já que é uma pessoa pública, a atriz esconde-se dentro de si mesma rejeitando qualquer forma de diálogo, provavelmente para que não precise mentir ou desculpar-se. Sua recusa à comunicação oral, então, transforma-se num escudo protetor.
O silêncio de Elizabeth incita a fala de Alma, a enfermeira encarregada de assisti-la, que inicialmente é introvertida. Tenta deixar o caso da atriz alegando não ser experiente o bastante para tratar de alguém em boas condições físicas e mentais. Ao permanecerem sozinhas na casa de praia da médica, a individualidade de ambas é confrontada e, a prestativa Alma, passa a falar desconcertadamente, a fazer confissões a Elizabeth as quais não condizem com seus princípios e com a forma que sua personalidade nos é apresentada.
A assimilação de Alma para com a personalidade até então, enigmática de Elizabeth, acaba por favorecer a troca de papéis: a atriz anteriormente analisada passa a analisar a enfermeira, nutrindo-se de sua resistência ao diálogo, quanto mais fechada em seu silêncio, mais obtém informações de Alma.
A inversão de papéis origina a real troca de personalidades, fato que nos remete novamente a Jung ao tratar da “sombra” no plano do inconsciente. Constitui-se ao material rejeitado pela persona do indivíduo como desejos, tendências, memórias ou experiências. Quanto mais forte a persona maior o repúdio a estes materiais. As pessoas que, por determinado motivo não reconhecem suas “sombras”, tendem a projeta-las em outros ou deixam-se dominar por ela sem que percebam.
É possível que Alma desconheça a sua “sombra” e, influenciada por Elizabeth, revele atos do passado, os quais são incompatíveis com sua persona. Ao longo da história, quando as personalidades fundem-se, Alma projeta a sua “sombra” em Elizabeth insultando-a constantemente.
A “sombra” de Elizabeth é revelada por Alma quando esta relembra sua aversão por seu filho. São memórias indesejáveis, à persona da atriz que, domina a personalidade da enfermeira.
A transformação em imagens da revelação do objeto de desejo de Elizabeth (a personalidade de Alma, pois projeta nela a sua própria) é vista no momento em que esta suga o sangue do braço da enfermeira.
De acordo com o método Stanilslavsky, o ator tem de ser o parasita da personagem para o seu êxito futuro e verossimilhança. O ato da senhora Vogler (já que interpretava um papel diante de Alma, ou melhor, utilizava uma de suas personas) nutre-se literalmente do produto que o outro possui e , no caso de Alma, não quer ceder.
Bergman nos remete durante todo o filme a questões teatrais e cinematográficas. Ainda no âmbito do teatro, Elizabeth deixa de falar enquanto interpretava Electra de Sófocles. O autor certamente não optaria por esta tragédia por mero acaso.
A personagem Electra é rejeitada pela mãe, nutre ódio pela mesma e tem grande amor pelo pai, por quem deseja vingar a morte. Elizabeth tem um filho somente para saciar o desejo daqueles a sua volta – e também para representar mais um papel de “mulher completa” – tenta livrar-se sem sucesso do feto e a criança possui um amor doentio pela mãe. Este fato pode aludir ao complexo de Édipo freudiano pelo fato do bebê ser do sexo masculino.
As semelhanças são invertidas: Elizabeth é a mãe que não deseja o filho, enquanto Electra é a filha rejeitada pela mãe. Resgatando novamente as teorias da personalidade de Jung, é possível interpretar o filho da atriz como sua “sombra”, já que foi recusado por sua persona.
Em se tratando de objeto de desejo, este muda na evolução da história para as duas protagonistas. Elizabeth quer encontrar sua identidade, busca pela verdade. Alma deseja ser Elizabeth, manifesta sua vontade quando diz “poderia me transformar em você se tentasse” logo após revelar uma orgia que viveu numa praia.
Justamente o relato dessa orgia marca a transposição de personalidades, no momento em que Alma descobre que uma parte muito íntima de sua vida e, que ela havia compartilhado com Elizabeth, estava sendo banalizada numa carta escrita pela paciente e direcionada para sua médica. Tal descoberta é representada com a mesma interferência sonora do gotejar, recurso utilizado anteriormente na poesia visual, e que caracteriza a fuga de uma parcela muito importante de sua vida: o “vazamento” de algo que até então se encontrava muito interiorizado na personalidade da enfermeira.
As duas estabelecem uma grande proximidade sugerindo, inclusive, uma paixão entre as duas, mostrada com muita sutileza pelo diretor (fato que torna ridículo e apelativo o título “Quando Duas Mulheres Pecam” em português). A ligação intensifica-se e ocorre a inversão de personas: Alma passa a agir como Elizabeth, dizendo, tudo o que a persona da atriz jamais aceitou.

REPRESSÃO NO DESEMPENHO

De acordo com o termo persona, o indivíduo cria uma forma de se apresentar ao mundo; seja através de atitudes, seja através de pertences pessoais. Relacionamo-nos socialmente através dessa máscara. No Capitalismo, o Princípio da Realidade sofre uma atualização. O indivíduo não mais busca sua felicidade e prazer livremente; o Princípio do Desempenho, criado pelo filósofo Herbert Marcuse, destaca a competitividade na luta pela sobrevivência como mais um obstáculo nesse objetivo. Enfim, as personalidades das pessoas estavam se modificando.
Atualmente, nota-se uma supervalorização da persona em relação ao Ego. A estrutura psíquica se altera de acordo com a máscara social. No filme de Ingmar Bergman, a personagem de Liv Ullman, a atriz Elizabeth Vogler, também sofre essa repressão da sociedade, contudo, seu Ego é prejudicado com a escolha
entre sua carreira e a presença de um filho. Acaba se decidindo ter um filho e fazer com que o período de gravidez se torne um novo patamar em sua carreira e, assim, enriquecer sua persona; impressionando a todos, menos ela mesma.
Com o nascimento de seu filho, Elizabeth sente desprezo e repulsa em relação àquela criatura que surgira de seu pseudo-amor e de seu corpo. Criara uma vida somente para alimentar sua sede de sucesso e bem estar social. Seu status quo se elevara. Elizabeth se tornara um modelo indentificatório para as massas como havia planejado, mas a que preço? Tal abalo, leva-a a perder sua verdadeira identidade perante as inúmeras personas que decide viver como atriz. Algum tempo depois, durante uma interpretação de "Electra", decide parar de falar, como se isso cessasse todas as mentiras que viveu e que poderia viver. Parte então para uma busca de seu verdadeiro eu.
Internada num hospital psiquiátrico, Elizabeth Vogler se fecha em seus pensamentos, mas tudo muda com a entrada da enfermeira Alma na cena, pois essa companhia acaba por atrasar a reconstituição da estrutura psíquica da Sra. Vogler. Ao permanecer sozinha, o Ego supera a persona, já que não há relacionamentos sociais. Por se tratar de uma profissional 'ouvinte passiva', a enfermeira tem a oportunidade de revelar seu Ego à sua paciente. Esta a estuda com um papel, uma nova personalidade que naturalmente acabará absorvendo.
outro texto sobre o filme

terça-feira, 7 de agosto de 2007

35º Festival de Cinema Gramado traz novidades


O Festival de Cinema de Gramado 2007, que acontece entre os dias 12 e 18 de agosto na Serra Gaúcha, traz algumas novidades em sua 35ª edição, a começar pela duração do evento, que se entendeu em um dia em relação aos anos anteriores.


Lista dos filmes selecionados no Festival de Gramado


A assessoria do 35º Festival de Cinema Gramado divulgou a lista dos selecionados para o evento neste ano, que acontece entre os dias 12 e 18 de agosto na Serra Gaúcha. Onze filmes vão participar da mostra competitiva, entre longas nacionais e estrangeiros, e 13 filmes integrarão a mostra de curtas nacionais.

O Brasil concorre ao Kikito (prêmio máximo do Festival) com Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, de Carlos Prates; Condor, de Roberto Mader; Deserto Feliz, de Paulo Caldas; Olho de Boi, de Hermano Penna; Otávio e as Letras, de Marcelo Masagão e Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento.

Confira a lista:

Longas brasileiros
- Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, de Carlos Prates
- Condor, de Roberto Mader
- Deserto Feliz, de Paulo Caldas
- Olho de Boi, de Hermano Penna
- Otávio e as Letras, de Marcelo Masagão
- Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento

Longas latinos
- Cocalero, de Alejandro Landes
- El Baño del Papa, de Enrique Fernández e Cesar Charlone
- O Cobrador, de Paul Leduc

Curtas em 35mm
- A Peste de Janice, de Rafael Figueiredo
- A Psicose de Valter, de Eduardo Kishimoto
- Alphaville 2007 D.C., de Paulinho Caruso
- Balada do Vampiro, de Estevan Silvera e Beto Carminatti
- Cine Zé Sozinho, de Adriano Lima
- O Livro de Walachai, de Rejane Zilles
- O.D. Overdose Digital, de Marcos DeBrito
- Oficina Perdiz, de Marcelo Díaz
- Passo, de Alê Abreu
- Perto de Qualquer Lugar, de Mariana Bastos
- Saliva, de Esmir Filho
- Satori Uso, de Rodrigo Grota
- Sete Vidas, de Marcelo Spomberg e Zé Mucinho

Mostra gaúcha
- A Peste de Janice, de Rafael Figueiredo
- Acerto de Contas de Luiz Rangel, de Luiz Rangel, Ivan Elias Oliveira e Luciana Amorin
- Casa Textor, de Marcos Holsbach de Souza
- Original O Filme, de Gustavo Tissot
- Os Vampiros Também Amam, de Nico Fagundes e Rosalinda
- Placebo, de Marcelo Restori