pesquisa

Pesquisa personalizada

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

1° MOSTRA GODARD " DE CINEMA EM HOMENAGEM AOS 50 ANOS DO MOVIMENTO NOUVELLE VAGUE

video


1° MOSTRA GODARD " DE CINEMA EM HOMENAGEM AOS 50 ANOS DO MOVIMENTO NOUVELLE VAGUE






NESSES DIAS 03.10 E 17 DE JANEIRO DE 2011 A CIDADE DE JOÃO PESSOA E REGIÃO VIZINHA VAI PODER CONFERIR UMA MOSTRA DE CINEMA DE UM DOS MAIORES DIRETORES VIVO DA HISTÓRIA DO CINEMA,ESTAMOS FALANDO DE "JEAN LUC GODARD" Reconhecido por um cinema vanguardista e polêmico, que tomou como temas e assumiu como forma, de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, os dilemas e perplexidades do século XX. Além disso, é também um dos principais nomes da "Nouvelle Vague".



ESSA MOSTRA É UMA COMEMORAÇÃO AOS 50 ANOS DO MOVIMENTO CONHECIDO COMO "NOUVELLE VAGUE" um movimento artístico do cinema francês que se insere no movimento contestatário próprio dos anos sessenta.

Sem grande apoio financeiro, os primeiros filmes conotados com esta expressão eram caracterizados pela juventude dos seus autores, unidos por uma vontade comum de transgredir as regras normalmente aceitas para o cinema mais comercial e GODARD FOI UM DOS GRANDES NOMES DESSE MOVIMENTO UM DOS FUNDADORES E DURANTE 3 SEGUNDAS OS CINEFÍLOS E AMANTES DO CINEMA PODERÃO DE FORMA GRATUITA TER UMA AMOSTRA DE 3 PRINCIPAIS FILMES DE GODARD QUE SÃO:


DIA 03 DE JANEIRO...................ACOSSADO

( TUDO COMEÇOU COM DEBATE E FALA SOBRE GODARD,LOGO APÓS SHOW COM A BANDA NUVENS PSICODÉLICAS)


DIA 10 DE JANEIRO...................O PEQUENO SOLDADO ( COMEÇAREMOS AS 19HS COM A FALA DE:

Carlos Adriano Ferreira de Lima
Historiador, professor da Universidade Estadual da Paraíba.
Membro de grupo de pesquisa sobre audiovisual, estética e literatura.
Autor de artigos e palestras sobre cinema.

LOGO DEPOIS O FILME POLITICO DE GODARD "O PEQUENO SOLDADO"

ENCERRAMOS A NOITE COM O SHOW DA BANDA " SEMENTES DAS ESTRELAS" ONDE VÃO FAZER MUITO RAUL SEIXAS.


DIA 17 DE JANEIRO...................JE VOUS SALUE MARIE

O ENCERRAMENTO DESSA FANTASTICA VIAGEM A UMA PARTE DA OBRA DO FRANCÊS JEAN LUC GODARD em HOMENAGEM AOS 50 ANOS DA NOUVELLE VAGUE termina com a exibição de um polemico filme e show com as bandas NUVENS PSICODÉLICAS E FASES DA LUA



ALEM DA EXIBIÇÃO DESSES FILMES O PUBLICO PRESENTE SERÁ PRESENTEADO COM :



RODAS DE DEBATES


POCKET SHOW MUSICAL (sempre ao termino de cada exibição)



A ENTRADA É FRANCA E COMEÇA SEMPRE AS 19 HORAS


O LOCAL É FACIL DE SE ENCONTRAR:


Centro Cultural Casa de Lauro Pires Xavier
Rua Rodrigues de Aquino, 280 - Centro
Parahyba (RUA por tras da academia de comercio epitacio pessoa)



***


A CURADORIA DESSA MOSTRA É DO REALIZADOR PARAIBANO THIAGO RODRIGUEZ,QUE TAMBEM É COORDENADOR DO PROJETO CINEBAIRRO NA CIDADE DE BAYEUX DESDE 2004 ONDE LEVA EXIBIÇOES DE FILMES E OFICINAS, ALEM DE REALIZAÇÃO DE CURTAS .



PARA MAIORES INFORMAÇÕES É SO LIGAR PARA O TELEFONE:



83 87058573 e falar com THIAGO RODRIGUEZ OU POR:



TWITTER:

@cinebairro



E-MAIL
cinebairro@hotmail.com

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ESPECIAL CINEMA EM SUPER-8 (1° parte)



Então pessoal, é hora de começar os trabalhos, e nada melhor do que um pacote especial para começar, o especial CINEMA EM SUPER-8 surgiu de um bate papo com um diretor de cinema amigo meu premiadissimo chamado DIEGO BENEVIDES, onde ele me contava que tinha adiquirido um antiga filmadora SUPER-8,depois desse papo já corri pra ir atras de uma pra mim e já esta encomendada, assim que chegar eu posto a minha foto com ela pra vocês.Eu querendo saber mais sobre o tema encontrei alguns textos traduzidos por "LAURA VISCONTI" e é partindo desses textos que começo esse especial que é uma viagem ao mundo das imagens em SUPER-8, espero que se apaixone.

"A história dos filmes realmente 'feitos em casa' começou em 1923. Apesar de filmes em 35mm serem padrões para lançamentos cinematográficos por décadas, a película larga emperrava, era cara e perigosa, devido à sua natureza inflamável.

Por anos, a Eastman Kodak Company trabalhou para desenvolver um sistema de equipamentos cinematográficos e películas que seriam suficientemente fáceis de serem usados pelos fotógrafos amadores, e ainda assim, com um preço aceitável. O resultado foi a câmera de 16mm 'Cine Kodak' e o projetor 'kodascope'. A câmera pesava em torno de 7 pounds e tinha de ser manivelada à mão a duas rotações por segundo durante as filmagens. Um tripé vinha incluso no pacote e tudo custava em torno de U$335.00! Isso numa época em que o novo automóvel da Ford podia ser comprado por U$550.00.

Deste modo, fazer filmes em casa não era um hobby barato, mas era capaz de proporcionar resultados excitantes e de alta qualidade. Por volta de 1932, quando a América estava prestes a enfrentar a Grande Depressão, um novo formato, o 'Cine Kodak Eight', surgiu. Utilizando um formato especial de película 16mm que tinha o dobro do número de perfurações em ambos os lados, a pessoa que estava filmando corria a película pela câmera em uma direção, aí recarregada e expunha o outro lado do filme, da mesma forma que uma fita K7 é usada hoje em dia.

Já que a janela de 8mm é um quarto do tamanho da de 16, este método reduziu a quantidade de filme necessária para dar o mesmo tempo de filmagem - 4 minutos - como o comprimento padrão de 100 pés do filme de 16mm. Depois da revelação, o laboratório tinha que cortar a película no sentido do comprimento e abaixo do centro, e juntar uma ponta com a outra, o que rendia 50 pés de filme em 8mm finalizado, que se traduzia por 3 minutos de filmagem a 18 quadros por segundo, enquanto que esta mesma medida em 16mm representa menos de dois minutos. O sucesso da película de 8mm foi quase imediato e em aproximadamente 15 anos os filmes em 16mm se tornaram quase que exclusivamente um formato utilizado por cinegrafistas profissionais.

Na década de 50, câmeras caseiras de 8mm eram comuns em festas de família, eventos especiais ou férias. Nos anos 60, começaram as pesquisas para se chegar a um sistema melhor de produtos para filmes caseiros e que também tivesse utilidade em aplicações áudio visuais. Os cientistas da Eastman procuraram simplificar mais ainda o processo de se fazer um filme enquanto melhoravam a qualidade do que era filmado. Tornou-se necessário que os cientistas criassem um novo produto, que não fosse muito diferente das tecnologias já existentes. Na verdade, as melhores qualidades dos formatos antigos deviam ser consideradas.

Assim, para facilitar ainda mais a vida do cineasta amador, foi introduzido no 8mm o cartucho, que fazia desnecessário o carregamento do filme no escuro. O conceito de câmera cinematográfica com carregamento por cartucho existe desde 1936, quando foi apresentado com a câmera de 16mm Cine-Kodak Magazine. Nesta época, no entanto, o cartucho do filme era feito por plástico moldado por injeção, ao invés de metal, o que precisava de trabalho manual e corria o risco de esmagar o filme. O tamanho 8mm foi mantido por razões econômicas, mas com muitos avanços significativos:

Carregamento por cartucho eliminava a oscilação do filme. Não era preciso que houvesse a sacudidela que acontecia durante o carregamento, e todo o filme, de 50 pés, podia ser rodado sem interrupção. Ao invés de fabricar as formas "Daylight" e "Tipo A" (Tungstênio) do novo filme, cada câmera de Super 8 tinha um filtro próprio, tornando possível a fabricação só de produtos "Tipo A", que poderia ser usado em ambos os tipos de luz. A perfuração (furos tipo roda dentada) foi reduzida em tamanho, permitindo uma área mais ampla para a impressão do filme que era mais ou menos 50% maior que a padrão do filme de 8mm. Foi justamente essa mudança na medida da perfuração, do fotograma e na introdução do cartucho que tornou o formato 8mm em Super-8. Maximizar a largura do filme foi um conceito originado na França por Pathe, com o sistema de câmera de 9.5mm.

A perfuração também foi movida para um ponto adjacente ao centro da janela do filme, tornando as cenas estabilizadas mais simples. Os formatos 16mm e 8mm padrão tem a perfuração no canto da janela para reduzir a obscuridade da imagem no começo e no fim do rolo causados durante o carregamento do filme. Como o Super 8 é um filme carregado por cartucho, isso não representava mais um problema. Virtualmente todas as câmeras de Super 8 teriam um medidor de luz próprio, uma característica surgida no começo dos anos 50 em câmeras de 16mm e em 1960 em câmeras de 8mm.

O próprio cartucho dava informações para a câmera sobre a velocidade (ISO) do filme e informações sobre filtro no caso dos produtos preto e branco. Entalhos precisos eram feitos em pontos específicos na extremidade do cartucho, ativando interruptores mecânicos ou elétricos na maioria das câmeras de Super 8. A maioria das câmeras de Super 8 eram fabricadas com motores movidos à bateria, eliminando a necessidade de um sistema mecânico de corda de transportes.

Em Abril de 1965, este revolucionário novo formato foi apresentado, e enquanto o mercado mudou nos últimos 30 anos, novas gerações de cinegrafistas, com projetos de filmes e aplicações que não existiam em 1960, passaram a aceitar o filme pequeno. Muitos dos grandes cineastas e fotógrafos de hoje começaram suas carreiras há décadas, no balcão da foto-ótica local, comprando um cartucho de filme Super 8.


Desde seu começo, como meio de se fazer filmes em casa nos anos 60, filme em Super 8 continua vivo e bem, e tornando possível para virtualmente qualquer um trazer para tela o 'olhe e sinta' do filme real.

Como estudantes de artes, muitos dos cineastas profissionais de hoje em dia criaram seus primeiros filmes em Super 8. Trinta anos depois, este meio de pequeno padrão ainda é uma maneira fácil e barata para estudantes e entusiásticos trabalharem em resolução cinematográfica e profundidade de cor que ainda hoje não foram superados pelas últimas tecnologias em vídeo. Não surpreendentemente, a magia do Super 8 achou até um caminho nos melhores vídeos-clips e comerciais de hoje em dia."

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

ESTAMOS DE VOLTA E DE CARA NOVA


Depois de uma parada basica aqui no blog do CINEBAIRRO de quase um ano, estou de volta e fico feliz que o BLOGGER nos proporciona novas ferramentas para melhor visualização do nosso blog.
o ano de 2010 está terminando e pra 2011 o PROJETO CINEBAIRRO vem com tudo e quem sabe será o ano de nossa produção cinematografica com carater profissonal, estou terminando o roteiro do nosso mais novo curta intitulado O HOSPICIO um terror que faço uma homenagem ao grande GEORGE A.ROMERO,estamos contactando com uma produtora profissonal e logo logo as novidades vão aparecer.
Esse ano de 2010 foi um ano proveitoso em relação a minha formação, bons livros, terminei meu curos UNIVERSITARIO hoje sou um professor de História formado,foi um ano de muitos filmes bons e descorbertas incriveis,por exemplo a do Diretor XAVIER DOLAN canadense e seus filmes maravilhosos.
desejo a todos um 2011 cheio de realizações e nao deixem de nos acompanhar:

TWITTER

@cinebairro

MSN

cinebairro@hotmail.com

ORKUT

cine.bairro@hotmail.com


ABRAÇO A TODOS

quarta-feira, 3 de março de 2010

Onde vivem os monstros (Spike Jonze, 2009)


Onde vivem os monstros (Spike Jonze, 2009)
 

por Marcus Vinícius Freitas

À noite, Max usou sua roupa de lobo e fez travessuras de um tipo e de outro
sua mãe o chamou de “MONSTRO” e Max disse “EU VOU DEVORAR VOCÊ!”
então ele foi mandado para a cama sem comer nada.

(Tradução livre da introdução de “Onde Vivem Os Monstros”, de Maurice Sendak)


Eu ainda lembro algumas passagens da minha infância, a aurora da vida. Tinha brinquedos até (Comandos em Ação e Forte Apache serão eternamente queridos), mas usar a imaginação era muito mais divertido. Em poucos segundos lá estava eu, no meio do espaço sideral tentando chegar a um planeta desconhecido. Também me via no meio de uma floresta cheia de animais e plantas perigosas, ou então a bordo de um navio cruzando os sete mares pelo mundo. Resumindo, era possível visitar os lugares mais legais do universo pelo simples fato de ser uma criança, voando pelas asas da fantasia. Bons tempos que não voltam mais.

Max é assim também, passa o dia inteiro brincando. É um garoto arteiro, imperativo, que não para um minuto. Quando não corre para cima e para baixo atrás do cachorro, está montando iglus e um arsenal de bolinhas na neve. Mimado, bagunçou e sujou todo o quarto da irmã, simplesmente por ela não ter brincado com ele. Bastou ver a mãe dividir a atenção com um namorado para armar um escândalo antes da janta, trajando sua inseparável fantasia de lobo. Depois de tomar um baita sermão da sua progenitora, Max sai correndo de casa e acaba embarcando para outro mundo…

O mais incrível de Onde Vivem os Monstros é saber que a obra original é praticamente ilustrativa e contém apenas dez sentenças. Isso mesmo, o livro de Maurice Sendak possui dez frases, exatas 338 palavras distribuídas em 40 páginas. O talentoso Spike Jonze (Adaptação, Quero Ser John Malkovic) contou com a ajuda de Dave Eggers e do próprio Sendak para criar um roteiro a partir dela. O resultado foi melhor que a encomenda, Spike aperfeiçoou a história e criou uma fábula sensível e cativante sobre amizade, companheirismo e, principalmente sobre a inerente imaginação de uma criança.

Antes de tudo, é importante saber a importância do original, um clássico da literatura infantil norte-americana. Foi vencedor da Caldecott Medal em 1964 (o maior prêmio para livros ilustrados), um ano após seu lançamento. No Brasil, chegou oficialmente apenas em outubro de 2009, com mais de quatro décadas de atraso (um abraço para as editoras), impulsionado pela adaptação cinematográfica e o jogo para PC e consoles.

De fato, a obra é muito famosa nos Estados Unidos. Uma rápida procurada no YouTube e milhares de trabalhos escolares e acadêmicos irão aparecer. É possível encontrar até um vídeo com Barack Obama, o atual todo-poderoso presidente americano, lendo-o para crianças e declarando ser um de seus preferidos (veja clicando aqui). Vai ver ele esqueceu que os pequeninos ainda não votam, mas valeu a intenção.

Outra oportuna curiosidade: Onde Vivem os Monstros foi o tema do primeiro teste misturando a animação tradicional com computação gráfica, dirigido por John Lasseter. Legal, mas e quem foi esse cara? Somente um dos fundadores da mais bem sucedida fábrica de sonhos de Hollywood e atual sinônimo de animação, a Pixar Animation Studios.





Esclarecida a magnitude do livro, voltemos ao filme. Depois de navegar por agitados mares, Max chega numa ilha habitada por monstros. Apesar da envergadura e dos dentes afiados, os anfitriãs aparentam um semblante simpático. Após tentarem devorar Max, eles se impressionam com o poder de lábia do baixinho e o declaram como novo rei do lugar.

Mesmo sendo “apenas” vozes, Jonze contou com um elenco de peso para dublar os monstros: James Gandolfini (Família Soprano), Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia), Paul Dano (Sangue Negro) e Chris Cooper (que trabalhou com o diretor em Adaptação). A mãe de Max é interpretada por Catherine Keener (O Virgem de 40 Anos).

A parte musical ficou a cargo de Karen O., vocalista do Yeah Yeah Yeahs. Ela juntou várias crianças nos backing vocals e formou a Karen O. and the Kids, banda encarregada da excelente trilha sonora. Mesclando diálogos com melodias divertidas e entusiasmantes (pelo menos na maioria) as faixas dão um toque especial nas sequências. Logo dará uma vontade de ouvi-la excessivamente, principalmente Rumpus, All Is Love, Heads Up e Food Is Still Hot, as melhores músicas do álbum. A faixa do trailer, Wake Up do Arcade Fire, infelizmente ficou de fora da trilha. Uma pena, pois sua letra combinava perfeitamente com a idéia do filme.

Apesar das turbulências e dúvidas que estariam à vista, o foco é na bela amizade entre Max e Carol (voz de Gandolfini), um dos bichos. É bonito ver a relação entre os dois. É tudo simples, verdadeiro e ao mesmo tempo ingênuo, tão cheio de amor. Sim, amor, pois antes de significar romance, paixão ou sexo, essa palavra é a expressão do sentimento que induz a conservar a pessoa ou a coisa (ou monstro) pela qual se sente afeição. Até no dicionário vem antes. O exemplo de companheirismo é deveras emocionante e irá fazer muito marmanjo sair chorando do cinema.

Quem merece uma menção especial é Max Records, o ator mirim que interpreta seu xará. Seu personagem é a alma do filme, é o motivo de tudo. Na verdade nem parece uma atuação, de tão natural que é. Para o garoto, ou melhor, para qualquer um preservar as amizades é tão instintivo quanto à curiosidade, o desejo de desbravar o desconhecido. Se não fosse por isso, ainda estaríamos impressionados com o descobrimento da roda e do fogo. Não adianta, guri tem de ser arteiro mesmo, ele quer mais é sair descobrindo o mundo por si próprio. É da nossa natureza, no fundo todos somos monstros selvagens. Talvez seja essa a lição mais contundente da história.

Convenhamos, não seria bom ficar eternamente uma criança? Tenho certeza que Jonze concordaria comigo. Mas o relógio biológico não tarda e entramos na adolescência, depois ingressamos na idade adulta e assim por diante. É a lei que rege os humanos. Uma pena não poder ficar com nove anos para sempre. Aliás, esse é o segredo para ver Onde Vivem Os Monstros: tire todo o gelo e a amargura que os anos de vivência incutiram no seu coração e veja o filme com os olhos de uma criança. Não é difícil, basta usar sua imaginação.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ANALISANDO O FILME "ACOSSADO" DE JEAN-LUC GODARD


O filme “Acossado”, de Jean-Luc Goddard, modificou os padrões cinematográficos da época - como a unidade da montagem e do roteiro, a continuidade dos diálogos e a sutileza dos cortes. O filme instaura a quebra narrativa, prioriza cenas ágeis, utiliza ângulos de câmera fora do comum, testa edições elípticas e introduz cortes rápidos – o que influenciou bastante o cinema americano dos anos 60 – mas, ainda assim, mantém espaço para a reflexão. No entanto, é importante frisar que o aspecto mais relevante deste filme não está no seu conteúdo, mas na sua forma inovadora – o “modo” de contar a história.


A metalinguagem é outra característica marcante da obra, que, por diversos momentos, faz referências a outros filmes, atores, diretores e diversos elementos do mundo do cinema. É como se a obra não estivesse tão preocupada em ‘contar uma história’, e se ocupasse mais da experimentação das diversas possibilidades fílmicas, através de um ousado roteiro e de uma montagem inovadora - que chega a gerar algum estranhamento ou repulsa na apreciação. Até então, nada igual tinha sido feito no cinema.

O filme propõe uma ruptura com o modelo tradicional da narrativa literária e defende que o cinema tem que explorar as múltiplas possibilidades do formato do filme, e não as gastas estratégias poéticas da literatura.

Acossado provou aos cineastas da época que era possível cortar um plano-sequência e mostrar o que estava cortado. Era possível mostrar o mesmo plano duas vezes. Era possível experimentar, criar e sair dos eixos do cinema clássico. O cinema foi tratado ineditamente como um material plástico maleável, cuja forma ultrapassava os limites da imaginação. Pela primeira vez, percebia-se conscientemente que o cinema é um instrumento de expressão artística, sem limites, e que o apreciador deve obedecer às condições de fruição específicas que o formato exige.

Um outro aspecto inovador importante é a introdução do anti-herói como protagonista do filme (não há o maniqueísmo do bem x mal), e a quebra dos perfis tradicionais do ‘herói cinematográfico’. Michael Poiccard, protagonizado por Jean-Paul Belmondo, era um ladrão moralmente condenável, não tinha características admiráveis e nem mesmo era bonito - principalmente quando comparado ao estilo de beleza greco-romana exaltada pelos filmes de Hollywood. E assim, Poiccard era perfeito como ‘herói’ da Nouvelle Vague, como um homem comum, um homem contemporâneo. O estilo do filme tem um profundo efeito na história do cinema e abre caminhos para uma estética mais livre e pessoal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2010




SAIU A NOMEAÇÃO PARA O GLOBO DE OURO 2010 QUE ACONTECE DIA 17 DE JANEIRO DE 2010, O GLOBO DE OURO É UMA ESPECIA D PREVIA PARA OS OSCARS, GERALMENTE QUEM LEVA UM PREMIO NO GLOBO DE OURO QUASE SEMPRE É PREMIADO NO OSCAR TAMBEM.

CONFIRAM A LISTA DOS FILMES, ATORES, ATRIZES, SERIES E PROGRAMAS DE TV INDICADOS:


1. MELHOR FILME - DRAMA


AVATAR
Lightstorm Entertainment, Twentieth Century Fox

THE HURT LOCKER
Voltage Pictures, Summit Entertainment

Inglourious Basterds
The Weinstein Company / Universal Pictures, The Weinstein Company

PRECIOSO: baseado em livro PUSH por Safira
A Lee Daniels Entertainment / Smokewood Entertainment Group Produção;
Lionsgate

Up In The Air
Paramount Pictures, Paramount Pictures


2. MELHOR ATRIZ EM Filme - Drama


EMILY BLUNT
The Young Victoria

SANDRA BULLOCK
O lado cego

HELEN MIRREN
The Last Station "

Carey Mulligan
UMA EDUCAÇÃO

Gabourey SIDIBE
PRECIOSO: baseado em livro PUSH por Safira

3. MELHOR ATOR EM UMA Filme - Drama

Jeff Bridges
Crazy Heart

GEORGE CLOONEY
Up In The Air

COLIN FIRTH
A Single Man

MORGAN FREEMAN
INVICTUS

TOBEY MAGUIRE
BROTHERS


4. MELHOR FILME - COMÉDIA OU MUSICAL

(500) Days Of Summer
Watermark Pictures, Fox Searchlight Pictures

NA RESSACA
Warner Bros Pictures, Warner Bros Pictures

It's Complicated
Relativity Media, Scott Rudin Productions, Universal Pictures

Julie & Julia
Columbia Pictures, Sony Pictures Releasing

NOVE
The Weinstein Company / Relativity Media / Lucamar Productions / Marc Platt Productions, The Weinstein Company

5. MELHOR ATRIZ EM Picture Motion - COMÉDIA OU MUSICAL

SANDRA BULLOCK
DA PROPOSTA

MARION COTILLARD
NOVE

JULIA ROBERTS
DUPLICITY

MERYL STREEP
It's Complicated

MERYL STREEP
Julie & Julia

6. MELHOR ATOR EM UMA IMAGEM PROPOSTA - COMEDY OU MUSICAL

MATT DAMON
O INFORMANT!

DANIEL DAY-LEWIS
NOVE

ROBERT DOWNEY JR
SHERLOCK HOLMES

Joseph Gordon-Levitt
(500) Days Of Summer

Michael Stuhlbarg
A Serious Man

7. BEST ANIMATED FEATURE FILM

NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE ALMÔNDEGAS
Columbia Pictures e Sony Pictures Animation, Sony Pictures Releasing

Coraline
Laika, Inc.; Focus Features

MR FANTASTIC. FOX
American Empirical Picture; Twentieth Century Fox

THE PRINCESS AND THE FROG
Walt Disney Pictures / Walt Disney Animation Studios, Walt Disney Studios Motion Pictures

UP
Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios, Walt Disney Studios Motion Pictures


8. MELHOR FILME ESTRANGEIRO
BAARIA (ITÁLIA)
Medusa Film; Summit Entertainment

Rotos (ESPANHA)
El Deseo SA; Sony Pictures Classics

A MAID (CHILE)
(LA NANA)
Forastero; Elephant Eye Films

Um profeta (ONU PROPHETE) (FRANÇA)
Chic Films, Sony Pictures Classics

A fita branca (ALEMANHA)
(DAS WEISSE BAND - Eine Deutsche KINDERGESCHICHTE)
Wega Films, Sony Pictures Classics

9. MELHOR ATRIZ EM UMA papel suportando em um FILME

PENÉLOPE CRUZ
NOVE

Vera Farmiga
Up In The Air

Anna Kendrick
Up In The Air
Mo'nique
PRECIOSO: baseado em livro PUSH por Safira

JULIANNE MOORE
A Single Man

10. MELHOR ATOR EM UMA papel suportando em um FILME

MATT DAMON
INVICTUS

Woody Harrelson
O MENSAGEIRO

Christopher Plummer
The Last Station "

Stanley Tucci
The Lovely Bones

Christoph Waltz
Inglourious Basterds

11. BEST DIRECTOR - MOTION PICTURE

KATHRYN BIGELOW
THE HURT LOCKER

JAMES CAMERON
AVATAR

CLINT EASTWOOD
INVICTUS

Jason Reitman
Up In The Air

QUENTIN TARANTINO
Inglourious Basterds

12. BEST SCREENPLAY - MOTION PICTURE

Neill Blomkamp, Terri TATCHELL
Distrito 9

Mark Boal
THE HURT LOCKER

Nancy Meyers
It's Complicated

Jason Reitman, Sheldon Turner
Up In The Air

QUENTIN TARANTINO
Inglourious Basterds

13. BEST ORIGINAL SCORE - MOTION PICTURE

MICHAEL GIACCHINO
UP

Marvin Hamlisch
O INFORMANT!

JAMES HORNER
AVATAR

ABEL KORZENIOWSKI
A Single Man

KAREN O, Carter Burwell
ONDE A Wild Things Are

14. BEST ORIGINAL SONG - MOTION PICTURE

"CINEMA ITALIANO" - NOVE
Music & Lyrics by: Maury Yeston

"I Want To Come Home" - Everybody's Fine
Music & Lyrics by: Paul McCartney

"I See You" - AVATAR
Música: James Horner, Simon Franglen
Lyrics by: James Horner, Simon Franglen, Kuk Harrell

"DO TIPO WEARY (Theme From Crazy Heart)" - Crazy Heart
Music & Lyrics by: Ryan Bingham, T Bone Burnett

"Winter" - Brothers
Música: U2
Letra: Bono


15. Best Television Series - Drama


BIG LOVE (HBO)
Anima Sola e Playtone em associação com a HBO Entertainment

DEXTER (SHOWTIME)
Showtime Presents, John Goldwyn Productions, a companhia Colleton, Clyde Phillips Productions

HOUSE (FOX)
Universal Media Studios, em associação com salto e Toe Films, Shore Z Productions and Bad Hat Harry

MAD MEN (AMC)
AMC

TRUE BLOOD (HBO)
Your Face Goes Here Entertainment em associação com a HBO Entertainment


16. MELHOR ATRIZ EM UMA SÉRIE DE TELEVISÃO -- DRAMA


GLENN CLOSE
DANOS

Janeiro JONES
MAD MEN

Julianna Margulies
The Good Wife

ANNA PAQUIN
TRUE BLOOD

KYRA SEDGWICK
THE CLOSER


17. MELHOR ATOR EM UMA SÉRIE DE TELEVISÃO - DRAMA


Simon Baker
THE MENTALIST

MICHAEL C. HALL
DEXTER

JON HAMM
MAD MEN

HUGH LAURIE
HOUSE

Bill Paxton
BIG LOVE


18. BEST TELEVISION SERIES - COMÉDIA OU MUSICAL


30 Rock (NBC)
Universal Media Studios, em associação com a Broadway Vídeo e Little Stranger Inc.

ENTOURAGE (HBO)
Alavancagem e mais próximo do Hole Productions em associação com a HBO Entertainment

ALEGRIA (FOX)
Twentieth Century Fox Television

Modern Family (ABC)
Twentieth Century Fox Television

THE OFFICE (NBC)
Universal Media Studios, Deedle Dee Productions, Reveille LLC


19. MELHOR ATRIZ EM UMA SÉRIE DE TELEVISÃO -- COMÉDIA OU MUSICAL


Toni Collette
ESTADOS UNIDOS DA TARA

COURTENEY COX
COUGAR TOWN

EDIE FALCO
Nurse Jackie

Tina Fey
30 ROCK

Lea Michele
ALEGRIA


20. MELHOR ATOR EM UMA SÉRIE DE TELEVISÃO -- COMÉDIA OU MUSICAL


ALEC BALDWIN
30 ROCK

STEVE CARELL
THE OFFICE

DAVID DUCHOVNY
CALIFORNICATION

Thomas Jane
HUNG

Matthew Morrison
ALEGRIA


21. BEST MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION

Georgia O'Keeffe (Lifetime Television)
Sony Pictures Television

Grey Gardens (HBO)
Specialty Films e locomotivas em associação com a HBO Films

Into The Storm (HBO)
Scott Free e Rainmark Produção Films em associação com a BBC e da HBO Films

Little Dorrit (PBS)
Masterpiece / BBC Co-produção

Taking Chance (HBO)
Motion Picture Corporation of America e Dawn Civil Pictures em associação com a HBO Films


22. MELHOR ATRIZ EM MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION

Joan Allen
GEÓRGIA O'KEEFFE

DREW BARRYMORE
GREY GARDENS

Jessica Lange
GREY GARDENS

ANNA PAQUIN
O CORAÇÃO corajosa Sendler IRENA

SIGOURNEY WEAVER
Prayers for Bobby

23. MELHOR ATOR EM UM MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION

Kevin Bacon
Taking Chance

KENNETH BRANAGH
Wallander: UM PASSO ATRÁS

CHIWETEL EJIOFOR
ENDGAME

BRENDAN GLEESON
Into The Storm

JEREMY IRONS
GEÓRGIA O'KEEFFE


24. MELHOR ATRIZ EM UMA papel suportando em um SERIES, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION

Jane Adams
HUNG

Rose Byrne
DANOS

Jane Lynch
ALEGRIA

Janet McTeer
Into The Storm

CHLOE SEVIGNY
BIG LOVE


25. MELHOR ATOR um papel de apoio de uma série, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION

MICHAEL EMERSON
LOST

Neil Patrick Harris
HOW I MET YOUR MOTHER

William Hurt
DANOS

John Lithgow
DEXTER

JEREMY PIVEN
ENTOURAGE


EM BREVE COLOCAREI TRAILER DOS FILMES INDICADOS E SEUS CARTAZES

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O CINEMA NOIR








O filme noir (lê-se nuá) é um dos gêneros cinematográficos “de época” mais admirados e populares do final do século vinte, apesar de o termo noir ser desconhecido à época na qual os filmes foram produzidos. Basicamente, ele significa “filme escuro” – uma variação do termo francês do século 19 “novela escura” – referindo-se a qualquer número de dramas policiais carregados psicologicamente dos anos 1940-50. Na época em que foram feitos, os filmes eram relacionados simplesmente a gângsteres ou mistérios, sem qualidades aparentes separando-os de outras produções. Os críticos franceses originalmente usaram a designação film noir para definir filmes dos anos 1930, tais como La Chienne (Jean Renoir) – mais tarde refeito em Hollywood por Fritz Lang sob o nome de Scarlet Street; porém, ele se aplicava igualmente bem a uma particular gama de filmes americanos e foi aceito pela crítica nos EUA a partir do final dos anos 50 para definir um tipo de gênero – especificamente um sub-gênero do filme policial. Hoje, há verdadeiros festivais de filmes noir na programação dos cinemas e redes de TV, uma grande ironia para um gênero que foi definido com um termo que os produtores e críticos da época provavelmente não teriam compreendido.

O desenvolvimento do filme noir foi gradual, chegando algum tempo após o ciclo de filmes clássicos de gângsteres em Hollywood. Os filmes policiais dos anos 1920-30 tinham seu lado psicológico – por exemplo, The Last Mile, Sabotage e The Petrified Forest – nos quais a motivação dos criminosos era tão fascinante quanto seus crimes. Mesmo The Roaring Twenties, com James Cagney, no final do ciclo de filmes de gângsteres da Warner Bros, apresentou um anti-herói cuja psicologia o levou a aceitar a morte – após sobreviver à Primeira Guerra Mundial, aos primeiros conflitos entre gângsteres e ao fim da “Proibição” (período no qual o governo americano proibiu a comercialização de bebidas alcoólicas). Alguns outros poucos filmes, em especial M (Fritz Lang), estrelando o então jovem Peter Lorre, focava mais na psicologia da mente criminosa do que na história da caçada do criminoso de uma criança. Contudo, estes trabalhos relativamente sofisticados foram exceção mais do que regra e a maioria dos filmes policiais dos anos 30 foram, na melhor das hipóteses, tiroteios bem feitos amarrados a material policial extravagante.


O filme noir como gênero definido começou no início dos anos 40, com filmes que lidavam com o lado sinistro de uma psicologia idêntica entre perseguidores e criminosos, a ponto de em The Big Sleep (1946), de Howard Hawks, a seqüência de crimes que suportam a trama ser difícil de discernir. Por outro lado, o primeiro filme genuinamente noir, segundo muitos críticos, foi I Wake up Screaming, de H. Bruce Humberstone, baseado numa novela de Steve Fisher e estrelando Victor Mature, Betty Grable e Laird Cregar. O título pode dar calafrios na espinha, mas os elementos verdadeiramente noir residem no sadismo pesado do personagem de Cregar, um policial obsessivo e homicida que atormenta os dois suspeitos (Mature, Grable) pelo assassinato de uma atriz. O filme conta a história do crime e da investigação, mas sua verdadeira força está na habilidade em fazer com que o espectador se sinta tão ameaçado quanto os dois suspeitos – eles se encontram encurralados numa intricada teia legal e psicológica tecida pelo policial. O espectador sente cada choque, à medida que os fios da teia são puxados bruscamente e tensionados fortemente, assim como os próprios personagens. Torna-se claro após alguns minutos de filme que estamos na presença de algo perigoso e doentio; mesmo nos dias de hoje, assistir a esse filme é uma experiência indescritível. Apesar de ninguém tentar rivalizar conscientemente com I Wake Up Screaming, ele foi padronizado filme noir padrão – a selva de pedra habitada por personagens que parecem perdidos ou feridos psicologicamente e cercados por armadilhas que são mais imaginárias do que reais, com a lei e a justiça sempre excedendo seus limites no sentido de destruí-los. I Wake Up Screaming acrescenta o elemento necessário para representar a lei como uma força sinistra e ardilosa simbolizando a injustiça.

The Maltese Falcon (1941), de John Huston, é também freqüentemente citado como um dos pioneiros do filme noir, mas sua psicologia é mais fraca que a do filme de Humberstone. Sam Spade, personagem vivido por Humphrey Bogart, entretanto se movimenta por um mundo reconhecidamente noir, repleto de homens e mulheres obsessivos com temperamento homicida, policiais cuja dedicação beira ao sadismo, mulheres cuja sexualidade é pessimamente controlada – e utilizada conscientemente para fins de destruição – e, no centro de tudo, um herói que luta constantemente contra seus piores impulsos. Um outro filme do mesmo período que parece definir o nascimento do gênero foi This Gun for Hire (1941), de Frank Tuttle, baseado em “A Gun for Sale”, de Graham Greene, e estrelando Alan Ladd, Veronica Lake e o onipresente Laird Cregar. A estória de um matador de aluguel era fora do convencional para os padrões de Hollywood, mas Ladd trouxe tanta humanidade e desespero para seu personagem que as platéias acharam irresistível – e essa mistura de psicose e honradez tornou-o o mais extraordinário anti-herói de Hollywood, contrastando bem com o personagem patético e caprichoso de Laird Cregar e o empresário traidor de Tully Marshall. As origens do filme noir durante esta época, tendo como fundo o início da Segunda Guerra Mundial, não foram uma mera coincidência.

A chegada da Guerra à Europa degradou o humor do povo americano tal como a Grande Depressão, em todos exceto nos piores dias, não tinha feito. Os EUA sobreviveram à Depressão, mas subitamente o mundo parecia estar se tornando mais ameaçador do que tinha sido durante aqueles dias agitados – os líderes da Alemanha democraticamente eleitos planejavam conquistar a Europa e o extermínio de milhões, e os outros líderes comparáveis na cena internacional eram os ditadores da URSS e Japão; Inglaterra e França estavam paralisados; e os EUA, cuja participação prévia na política internacional durante a Primeira Guerra Mundial terminou em desastre para o Presidente e o Congresso, estavam incapazes de agir. Para tornar pior as coisas, havia o fato do início da Segunda Guerra coincidir com o fim dos últimos vestígios do desemprego da Grande Depressão. O filme noir foi uma reação ao mundo que se desenhava em 1941. Na época, os filmes estavam mais preparados para um novo tipo de herói e um novo leque de personagens. A imposição do Código de Produção (Production Code), censurando o conteúdo dos filmes a partir de 1933, teve o efeito de limpar e clarificar as superfícies externas dos personagens e das tramas, mais do que seus autores, atores e diretores poderiam ter gostado. Atores como James Cagney, Humphrey Bogart e mesmo John Wayne (dê uma olhada em sua representação como Ringo Kid em Stagecoach) tinham trabalhado para trazer algum lado obscuro para sua representação, mas somente de uma maneira muito limitada. Geralmente, os filmes se tornaram menos abrangentes após oito anos de censura auto-imposta.



Quando o filme noir apareceu durante o início dos anos 40, mostrando lados do comportamento humano anteriormente ignorados, o público respondeu mais entusiasticamente. A Guerra também ajudou em outro aspecto – muitos dos trabalhos que se seguiram não teriam passado pelos censores nos anos 30, mas após a entrada da América na guerra, os padrões se perderam à medida que a indústria cinematográfica reconheceu que o mundo era um lugar mais violento e perigoso. E uma nova geração de escritores chegou em Hollywood para se aproveitar disso. O trabalho do autor Cornell Woolrich, em particular, serviu como ponto de referência para estes dramas psicológicos obscuros. Uma pessoa profundamente atormentada, porém um escritor talentoso que sofria de depressão crônica e uma obsessão por sua própria mãe e que era homossexual, Woolrich foi um dos mais populares escritores de ficção policial no início dos anos 40; seu trabalho foi extensamente publicado em revistas assim como em novelas. Sua estória "Black Friday" e novellas como "Phantom Lady" e "The Night Has A Thousand Eyes" tornaram-se a base para muitos filmes importantes durante os primeiros anos daquela década; além disso, ele criou o texto que subseqüentemente foi adaptado ao cinema como Rear Window, de Alfred Hitchcock.



Ao nível mais popular, Daniel Hammett (The Falcon Maltese) e Raymond Chandler (The Big Sleep, Farewell my Lovely) estavam em demanda como nunca e nos anos 40 eles finalmente viram as personalidades sinistras de seus personagens levadas às telas razoavelmente intactas. O filme noir foi o primeiro gênero no qual o perigo com o qual os personagens se defrontavam era mais psicológico do que físico. A platéia parecia responder bem a esse fenômeno, e o sucesso de This Gun for Hire e I Wake up Screaming, em particular, anunciou uma era de dramas policiais sinistros e mistérios habitados por personagens estranhos e obcecados: Phantom Lady, Deadline At Dawn, The Woman In the Window, Scarlet Street, Murder My Sweet, The Lost Weekend, The Strange Love of Martha Ivers, Pitfall, Dead Reckoning, The Dark Corner, Edge of Doom, Force Of Evil, Kiss of Death, The Asphalt Jungle, They Live By Night, D.O.A. Os títulos por si só falam a respeito desses filmes. Uma típica trama noir poderia envolver uma pessoa que comete um pequeno e aparente sem importância ato de indiscrição – estando bêbada, fazendo um favor para um estranho ou falhando ao realizar uma tarefa para um estranho – e acaba se encontrando num dilema de vida ou morte. Em Dark Corner, Mark Stevens se vê perseguido, agredido e preso por um detetive particular por um assassinato que não cometeu, tudo a pedido de um homem (Clifton Webb) que mal sabe ou se lembra de sua própria motivação pervertida por vingança. Em Deadline At Dawn, o único filme dirigido pelo renomado diretor de teatro Harold Clurman, o marinheiro Bill Williams, durante uma visita a Nova Iorque, acorda após um porre e descobre que a mulher com a qual estava – e que estava tentando roubá-lo - foi estrangulada e ele pode ficar comprometido por vários indícios e testemunhas. Em Pitfall, Dick Powell, investigador de uma companhia de seguros, dá atenção para uma mulher aparentemente carente e vulnerável (Lizabeth Scott) e isto o envolve em uma fraude, uma chantagem e um assassinato. Finalmente, em D.O.A., talvez o mais sinistro dos filmes noir, o empresário Edmond O´Brien percebe que lhe foi dado um veneno letal, de efeito prolongado, que o matará em 24 horas e ele gasta este tempo tentando descobrir o porquê do envenenamento; ao final, descobre que foi assassinado somente porque documentou uma conta de venda para um homem que nunca vira antes, o que tornara-o uma testemunha em potencial num caso de fraude e assassinato.
Em outros exemplos do gênero, os personagens são tudo, menos inocentes. O filme Laura (1944), de Otto Preminger, por exemplo, o qual também é um dos mais românticos noir feitos, todos os envolvidos na trama (exceto por um mordomo) são potenciais suspeitos do assassinato e têm motivos para tanto. Mesmo o policial, interpretado por Dana Andrews, está tão absorvido por seu trabalho que ele não percebe a selvageria e o sadismo que movem suas ações e motivações. Andrews, Preminger, e a estrela do filme, Gene Tierney explorariam novamente esse personagem em 1950, no filme Where The Sidewalk Ends, no qual Andrews representa um policial que inadvertidamente se envolve num assassinato – ironicamente, um dos poucos crimes que ele é acusado e que não é culpado!

Um outro exemplo brilhante do gênero é Force of Evil (1948), de Abraham Polonsky, o único que não nasceu em Hollywood. Filme de uma produtora independente chamada Enterprise Studios, em Force of Evil estrelava John Garfield como um empresário bem-sucedido de Wall Street tentando comandar um sindicato que planeja quebrar o “jogo-do-bicho” local e transformá-lo em uma loteria legal, mas, para isso, ele precisa arruinar a vida de seu irmão – com o qual está brigado – , um pequeno “bicheiro”. Garfield é destruído quando ele tenta salvar o bem-estar financeiro de seu irmão, o que custa a vida deste (brilhantemente interpretado por Thomas Gomez) no processo. A Força da Maldade mencionada no título original é o capitalismo e a ganância do sistema. Em The Asphalt Jungle (1950), de John Huston, todos são culpados e ou são pegos ou mortos – saber disso não diminui a importância do filme, pois o modo como eles são pegos ou mortos é do que realmente trata o filme. Mesmo Samuel Goldwyn, conhecido por fazer filmes para atingir o maior público possível (The Best Years of Our Lives, Hans Christian Andersen, etc.), produziu um filme noir, Edge of Doom, o qual provou ser um dos mais sombrios e bizarros exemplos do gênero. Farley Granger, que trabalharia muito melhor em Side Street, interpreta um garoto pobre de Boston que mata acidentalmente um padre e passa o resto do filme tentando escapar de sua responsabilidade e sua perseguição por outro padre (Dana Andrews).

A importância do filme noir diminuiu durante os anos 50, algum tempo após o final da Guerra Mundial que deu origem ao seu nascimento. A longevidade do gênero, contudo, pode ser atribuída primeiro à sua flexibilidade – ao contrário dos westerns, os filmes policiais nunca saem de moda e as diferentes manifestações do crime oferecem uma rica seleção de matéria-prima. Ao final dos anos 40, à medida que a delinqüência juvenil estava se tornando um assunto prioritário, a Universal produziu City Across The River (basedo no best seller “The Amboy Dukes”, de Irving Shulman), sobre gangues de rua na região de Brownsville do Brooklyn. E nos anos 50, mesmo o “Terror Vermelho” (a paranóia anti-comunista) manifestou-se no filme noir, em um dos melhores thrillers policiais da década, Pickup On South Street (1953), de Samuel Fuller, no qual um batedor de carteiras (Richard Widmark) se encontra metido com espiões inimigos e agentes do F.B.I quando ele rouba a bolsa de uma mulher que contém um valioso pedaço de microfilme - Thelma Ritter, a qual, apesar da produção "B", recebeu uma indicação ao Oscar.





O ciclo do film noir deu origem a várias partituras musicais marcantes, compostas por maestros como David Raksin (Laura) e, principalmente, o lendário Miklos Rozsa (Double Indemnity, The Lost Weekend, Naked City). O interesse pelo gênero somente diminuiu quando a televisão acabou com o mercado deste tipo de baixa produção, e o “tiro de misericórdia” foi dado quando o filme colorido se tornou padrão em Hollywood. Era muito difícil, senão impossível, filmar estórias da natureza do noir em cores sem o ambiente sinistro que a fotografia em preto-e-branco propiciava – a cor, tal como usada naqueles dias, tirava a concentração e, por questão de necessidade, criava imagens muito brilhantes. O filme noir, contudo, não desapareceu inteiramente como gênero e campo de estudo. Na França, diretores como Jean-Pierre Melville (Bob Le Flambeur) e Jean-Luc Godard (Breathless) foram profundamente influenciados pelo gênero americano. Jules Dassin também fez um clássico filme noir, Riffifi. Ocasionalmente, um filme como Cry Terror de Andrew e Virginia Stone ou Key Witness, de Phil Karlson – ambos datando do começo dos anos 60 – emergiriam de Hollywood, mas foram apenas uma exceção e nenhum atingiu o sucesso esperado, de modo a trazer um interesse maior.

Como a qualidade dos filmes de Hollywood piorou, cinéfilos e estudantes de cinema crescentemente se voltaram aos gêneros mais antigos e descobriram o filme noir. Além disso, a total fixação americana pelo filme noir data a partir dos anos 60, à medida que expectadores e estudantes – procurando por algo mais do que A Noviça Rebelde ou mesmo a série de filmes de James Bond poderiam oferecer – começaram a levar a sério estes velhos filmes policiais e estudando-os em modos que teriam surpreendido seus produtores. Nos anos 70 e 80, qualquer um podia encontrar a influência do filme noir em bons mistérios como The Midnight Man (1974), de Burt Lancaster e Roland Kibbee, Blade Runner (1982), de Riddley Scott e A Honra do Poderoso Prizzi (1985), de John Huston; nos anos 90, filmes como Reservoir Dogs (1992), de Quentin Tarantino, ajudaram a preservar o gênero.
O Que é Afinal um Filme Noir?

Há sete elementos de um filme noir que Raymond Borde e Etienne Chauteton apontaram em Panorama du Film Americain (extraído e traduzido em Film Noir Reader, editado por Alain Silver e James Ursini). São eles:

UM CRIME;

A PERSPECTIVA DOS CRIMINOSOS, NÃO DA POLÍCIA;

UMA VISÃO INVERTIDA DAS TRADICIONAIS FONTES DE AUTORIDADE, TAL COMO A CORRUPÇÃO POLICIAL;

ALIANÇAS E LEALDADES INSTÁVEIS;

A “FEMME FATALE” (FÊMEA FATAL): A MULHER QUE CAUSA A RUÍNA E/OU MORTE DE UM BOM HOMEM;

VIOLÊNCIA BRUTA;

MOTIVAÇÃO E MUDANÇAS EM COMPLÔS BIZARROS.







Paul Schrader observa a dificuldade em definir film noir em Film Comment (também reimpresso em Film Noir Reader), porém o limita em um período específico – de The Maltese Falcon (1941) até Touch of Evil (1958). Ele argumenta que o noir é literalmente preto. Cenas noturnas, iluminação de alto contraste e sombras fazem parte do estilo noir. Além disso, o filme noir trabalha com tempo não-linear, disjuntivo.

Apesar destas duas tentativas de definir o filme noir sejam úteis, elas igualmente são limitadas. A diferença entre filme noir e policial, segundo Borde e Chaumeton, é muito pequena. Filmes como The Naked City e Crossfire foram estruturadas a partir de uma perspectiva do policial, ainda que não haja limites para a violência bruta e a perversão dos assassinatos em Crossfire. Borde e Chaumeton também negligenciam o elemento de transgressão moral/perversão que torna um noir verdadeiramente obscuro. Além disso, o argumento de Schrader que o gênero noir está morto é prematuro. Filmes recentes como Bound, Dark City e virtualmente qualquer coisa de John Dahl não são meramente homenagens ao filme noir, mas versões contemporâneas deste. A seção “Film Noir” do Internet Movie Database lista filmes de 1927 (The Underworld) até o presente. Uma estatística destes indica um pico primário de 1945 até 1951, e outro pico de 1951 até cerca de 1958 com um ressurgimento nos anos 1990.

Entretanto, Schrader está correto ao afirmar que definir o noir é quase impossível. Quantos elementos noir são necessários para se fazer um noir? Um? Três? Sete? Então, um noir pode ter apenas um único elemento, enquanto que outro filme que possua três não seja considerado um noir.

O que segue é uma outra tentativa de preencher a lacuna de definições do filme noir em complemento às definições dadas acima:

1. Perversão/transgressão moral. Um grande exemplo é William Bendix usando termos afetuosos como “docinho” e “querido” enquanto tortura Alan Ladd, em The Glass Key;

2. Destino. Freqüentemente, os protagonistas do noir se metem em encrenca por causa de traços de personalidade (Double Indemnity e Criss Cross) ou circunstâncias além do seu controle (Detour).

3. Traição/Ilusão. Todas as relações humanas estão sob risco no mundo noir – a relação entre cônjuges (Pitfall, Woman in the Window), entre patrões e empregados (Phantom Lady), entre clientes e investigadores particulares (The Maltese Falcon, The Big Sleep), entre amantes (Criss Cross) e mesmo entre pais e filhos (Mildred Pierce). Toda relação presumidamente baseada na verdade e mesmo no amor tem o potencial de se transformar em traição por dinheiro ou sexo, ou ambos.